RADAR / LANCE!
31/05/2016
13:41
Porto Alegre (RS)

O sotaque gaúcho vem se sobressaindo neste início de Campeonato Brasileiro. Com dez pontos e separados apenas pelo saldo de gols, Grêmio e Internacional ocupam as duas primeiras colocações da classificação, feito que não acontecia desde 1983. 

A volta olímpica até veio para os dois, mas não no Brasileirão: eliminado na segunda fase da competição nacional, o Colorado terminou a temporada com a lembrança do título gaúcho. Já os gremistas conseguiram um feito bem maior: a equipe que tinha Renato Gaúcho, Mário Sérgio, Tarciso e Mazarópi conduziu o Tricolor gaúcho à primeira Libertadores e, por fim, ao Mundial Interclubes, com vitória por 2 a 1 sobre o Hamburgo (ALE).

Prestes a iniciar a quinta rodada do Brasileirão, o LANCE! aponta com jornalistas do Rio Grande do Sul e jogadores que marcaram época na dupla Gre-Nal na década de 1980 sobre o que esperar das atuais equipes em relação à "reedição" da dobradinha.

LUIS HENRIQUE BENFICA - Repórter da Rádio Gaúcha

Por mais que Grêmio e Internacional tenham condições de ir bem no Brasileirão, acho que é ainda muito prematuro depositar as fichas em um título de qualquer equipe. A competição está muito equilibrada, e temos de considerar que outros favoritos convivem com problemas atualmente: o Corinthians está desmontado e o Atlético-MG sofre com desfalques. Para manter uma sequência, o Tricolor gaúcho precisa ratificar a força de sua base e do bom trabalho de seu elenco, enquanto o Colorado tem como trunfo a volta de Valdívia e a estreia de Seijas.  

HILTOR MOMBACH - Editor do Correio do Povo

A manutenção da equipe que estava montada desde o ano anterior é o grande trunfo para o Grêmio estar na liderança. Chegaram apenas contratações pontuais, como Bolaños, Edilson e, agora, Wallace e, considerando que o Roger Machado tem todo seu elenco à disposição, a expectativa é de que a equipe siga com um bom rendimento. Já o Internacional surpreende. Recém-contratado, Danilo Fernandes logo se encaixou rapidamente no gol, enquanto o miolo de zaga foi ajustado, e o meio conseguiu entrosamento mesmo com as ausências de Dourado, Valdívia e Seijas. Porém, fica um alerta à dupla: é bom largar na frente, mas não significa que as equipes possam se acomodar.

PAULO ROBERTO - lateral-direito do Grêmio entre 1981 e 1983

A manutenção de treinadores é crucial para que Grêmio e Internacional se destaquem no Brasileirão. Mas o Imortal parece a equipe mais ajustada, especialmente por já ter um trabalho mais consistente do que o Internacional, que ainda precisa de contratações. Mas, ainda teremos muitas rodadas, e a dupla pode crescer de rendimento, desde que mantenha um elenco homogêneo e não tropece para equipes mais modestas.

MÁRIO SÉRGIO - meia do Grêmio em 1983 e do Internacional em 1984, e treinador do Inter em 2009

Por mais que seja difícil de apontar expectativas, acredito mais no Grêmio para este Brasileirão. Além de manter a equipe do ano passado, Roger Machado é um treinador muito sereno, que sabe como montar uma equipe dinâmica e conhece o elenco que tem à mão, o que é importante para um campeonato de longa duração. Já o Internacional é uma equipe jovem, ainda em formação e, além de precisar ter mais jogadores com rodagem no elenco, era bom ter um treinador menos temperamental do que Argel Fucks. 

LUIZ CARLOS WINCK - lateral-direito do Internacional entre 1981 e 1989, e 1991, e do Grêmio em 1993

Na verdade, não vejo uma equipe que possa surgir como favorita no Campeonato Brasileiro. Grêmio e Internacional têm elencos competitivos, e com potencial para brigar pela liderança com os demais clubes. O Inter conta com um bom trabalho de Argel Fucks, e pode se reforçar mais na época da janela de transferências. Do lado do Grêmio, o trabalho com o Roger Machado é consistente, e pode trazer um bom rendimento.