Marco Polo Del Nero, presidente da CBF (Foto: Leo Correa/Mowa Press)

Maneira como temporada do futebol nacional é organizada tem falhas (Foto: Leo Correa/Mowa Press)

Amir Somoggi*
20/07/2016
16:53
Rio de Janeiro (RJ)

O futebol brasileiro tem inúmeros problemas para ser resolvidos. Mas, sem dúvida, o principal deles, que afeta o cotidiano dos clubes e do torcedor é o calendário. Todos assistem nesse momento o Flamengo montando sua equipe em meio ao Brasileirão, em julho. Outros times se desfazendo de seus atletas por conta da janela de transferências de verão, as mais ativas do futebol europeu. 

No mundo civilizado do futebol, a Europa, pré-temporada é hora de reforçar as equipes com contratações. A temporada tem início com sua principal competição anual, sua liga doméstica. Na sequência se inicia em paralelo as Copas de cada país e as competições europeias.

No Brasil, nossa temporada se inicia com os estaduais e agora Copas Regionais e Libertadores, que de forma inacreditável acaba em junho/julho. Os clubes fazem pré-temporada mas o Brasileirão somente começa quatro meses depois. E no segundo semestre sobra a Copa do Brasil e Sul-Americana.

Nosso calendário nacional e a visão totalmente equivocada da Conmebol são entraves para nosso desenvolvimento. Os clubes brasileiros vivem um círculo vicioso por conta do calendário. Há anos os times são desmontados em meio às competições e montados da mesma forma, sem planejamento, por conta de vivermos completamente desalinhados do futebol europeu.

Em junho/julho quando os times europeus vão às compras, nossos clubes vendem nossos melhores jogadores. Assim permanecemos exportando, mas enfraquecendo nosso produto. E o pior de tudo é que nossos clubes acumulam pesados déficits, mesmo com esse modelo exportador.

Para piorar o cenário nossas competições nacionais não param em jogos da seleção, as datas Fifa. Portanto aqueles times que segurem seus ídolos, sofrerão o ano inteiro.

Enquanto atuarmos desalinhados do mundo do futebol seremos essa jabuticaba no futebol. Transferimos 1,2 mil atletas por ano para o exterior, fazendo com que nosso nível técnico apenas decaia.

O futebol dos Estados Unidos, Rússia e China são ótimos exemplos de como souberam aproveitar melhor do calendário europeu. Suas ligas podem estar mais alinhadas ao mercado de transferências, ou por datas de suas janelas de transferências ou por seu calendário.

Se o Brasil quiser crescer globalmente e melhorar seu futebol tecnicamente, terá que repensar esse modelo exportador. Em um novo calendário, muito mais inteligente e eficiente. Agora se não quiserem mudar e continuar vendendo jogadores, que façam pelo menos bem feito.

Segundo a Fifa, os clubes brasileiros são os que mais exportam jogadores no Mundo, mas nem de longe os que mais faturam. O mercado global de transferências de jogadores movimentou US$ 4,18 bilhão (em torno de R$ 13,5 milhões) em 2015. Todos os clubes brasileiros somados ficaram com irrisórios US$ 188 milhões (em torno de R$ 611 milhões).

Não construímos nossa Industria de consumo de ídolos do futebol. E muito menos faturamos tanto assim com sua exportação, para que se valorizem do outro lado do Atlântico.

*Amir Somoggi é consultor de marketing e gestão esportiva e Especialista em Análise Financeira da Academia LANCE!