Santa Cruz x Cruzeiro

Santa Cruz x Cruzeiro (Foto: Pablo Kennedy/Lancepress!)

Igor Siqueira
26/05/2016
07:45
Rio de Janeiro (RJ)

Só se passaram três rodadas. O Brasileirão está no começo. Mas seja lá qual for o desfecho da Série A-2016 lá em dezembro, já é possível dizer que os primeiros traços da história da atual edição foram muito bem escritos por Grafite. E não há borracha que a apague. São três jogos, duas goleadas, seis gols e um Santa Cruz que - com sete pontos e impulsionado por um desempenho impressionante do atacante - está tendo a "audácia" de liderar o Brasileirão no ano em que retorna à Série A.

Só se passaram três rodadas. Mas não é para qualquer um acumular uma média de dois gols por jogo nesse período. A façanha é inédita e um começo de Brasileirão. Se a média se mantiver, é certeza que o recorde de bolas na rede em uma só edição da Série A - que é de Washington, autor de 34 em 2004 - vai virar poeira. E o que dizer então da meta previamente traçada por Grafite de fazer 15 gols na competição? Mais perto ainda de ser superada.

Só se passaram três rodadas. Mas é bom lembrar ainda que Grafite já fez parte de um grupo campeão de forma muito improvável. Como não se lembrar daquela temporada 2008-2009 em que o Wolfsburg foi campeão alemão, tendo o atacante brasileiro como artilheiro, com 28 gols?

Só se passaram três rodadas. Mas nem o mais fanático torcedor coral imaginaria que o atacante de 37 anos, contratado no meio do ano passado para contribuir para a segunda metade da campanha da Série B, pudesse ainda ter tanto poder de decisão. Só neste ano, Grafite já contribuiu para as conquistas do Pernambucano e da Copa do Nordeste. No Brasileirão, goleadas sobre Vitória e Cruzeiro, ambas por 4 a 1, e um empate com o Fluminense.

E não adianta dizer que os números de Grafite estão do jeito que estão porque o Santa Cruz já teve três pênaltis marcados a favor. Teve golaço, demonstração de força e, claro, oportunismo. Ingredientes para um atacante de sucesso, seja qual for a idade.

"Se eu fosse treinador da Seleção, levava ele".

Os gols de Grafite no Brasileiro têm sido importantes para impulsionar o time até a vitória. Dos seis marcados até aqui, quatro foram feitos quando o Santa Cruz estava empatando e um quando estava perdendo.

- Estou muito feliz em ter o Grafite conosco. Se eu fosse treinador da Seleção, levava ele. Ele é diferente de todos os atacantes que temos. Tenho que respeitar o treinador da Seleção, mas acho que ele agregaria muito. Grafite esta passado por um excelente momento. Ele está com um nível de confiança muito bom. Não é só pelos gols, porque eu valorizo o coletivo, mas é por tudo que ele representa dentro do grupo. Ele é o carro-chefe, ele leva, dá o exemplo - analisou Milton Mendes, técnico do Santa Cruz, após a vitória sobre a Raposa.

O treinador coral ainda lembrou que a atual passagem de Grafite nem sempre foi um mar de rosas, mas ressaltou o crescimento de produção com ajustes táticos executados.

- Quando aqui cheguei, todo mundo falava que era bom jogador, mas não fazia gol há seis jogos. Precisava dar uma arrumada em algumas situações. Brinquei com ele que em todos os times que trabalhei os atacantes eram artilheiros, porque a forma com a qual a gente joga facilita para os atacantes. Grafite é uma peça fundamental na nossa equipe.

Não é por acaso que Grafite - segundo ele mesmo admitiu - recebeu proposta do Vasco e também, segundo o L! apurou, tem gerado interesse do Flamengo. Mas o jogador já avisou que deseja permanecer no Arruda. Se assim for, o torcedor coral tem ainda mais esperança de que a onda de bons resultados e gols não será passageira e a história do Brasileirão-2016, ainda que escrita com Grafite, jamais será apagada.