Felippe Rocha
27/10/2016
07:00
Rio de Janeiro (RJ)

Victor Luís já mostrou valor e se consolidou no Botafogo. Tanto que faz parte da linha defensiva praticamente intransponível neste segundo turno do Campeonato Brasileiro. Mas e o futuro? Emprestado pelo Palmeiras, ele não sabe onde estará em 2017. O Glorioso quer mantê-lo, mas as indefinições sobre título e aposentadoria (ou não) de Zé Roberto adiam a negociação. E o lateral-esquerdo não esconde a ansiedade para saber onde vai jogar.

- Penso muito sobre isso. Quero jogar, ter continuidade. Se for pra ter aqui, que eu permaneça. Se for para ter sequência lá - e eu pertenço a eles - que eu vá e faça um bom trabalho também. O meu pensamento é sempre jogar. Penso diariamente, o ano está acabando e eu fico sem saber o que vai acontecer, por enquanto. Tomara que entrem num acordo melhor para os dois clubes e para mim também - espera Victor Luís, em entrevista ao LANCE!.

Ele vinha recebendo chances esporádicas, e não conseguia agradar de todo. Até que, no jogo contra o Cruzeiro, no Mineirão, no dia 11 de setembro, o técnico Jair Ventura inovou. Mudou o esquema tático do time, passou Diogo Barbosa para o meio-campo e escalou Victor. Resultado: duas assistências na melhor partida dele pelo Glorioso.

- Eu tinha conversado com o Jair antes, ele até me perguntou se eu já tinha feito outra posição. Eu brinquei: "Toco qualquer instrumento, quero é estar na banda." Ele conversou comigo e com o Diogo e esse entrosamento vem dando certo ali na esquerda. Espero seguir fazendo bons jogos como o daquele dia, e dar continuidade aqui e comenta, lembrando a dupla com o companheiro que se recupera de lesão.

E a arrancada do Botafogo já é impressionante. O aproveitamento de quase 80% da equipe, sob as ordens de Jair Ventura, não deixa mentir. Para consolidar o semestre com uma vaga na Libertadores, Victor Luís dá a receita.

- Queremos fazer história aqui. Vamos pensando degrau por degrau, mas pensando em grandes vitórias - explica um dos jogadores que surpreenderam no ano.

BATE-BOLA:

1 - Ainda há a indefinição do Palmeiras, mas sua vontade é ficar?
Minha vontade é ter continuidade, e aqui eu fui muito bem recebido. Graças a Deus, estou bem adaptado aos companheiros, à comissão técnica, à diretoria. Tudo tranquilo. Estou feliz com o ambiente. Mas é difícil falar algo porque não sei o que vai ser lá no Palmeiras. Eles estão na briga pelo título, e então disseram que vão esperar para resolver qualquer coisa. Fico na expectativa para saber o que vai acontecer. Só quero que o ano que vem seja tão produtivo como está sendo esse ano para mim.

2 - Você percebe que evoluiu nesta temporada no Botafogo?
Nós sempre evoluímos. Costumo falar que não sou perfeito, mas trabalho em busca da perfeição. É isso que vai me dar condição de me manter em alto nível. Quando fiquei no banco, se não estivesse treinando forte, não ia dar conta. Sabia que a qualquer hora podia entrar e a evolução eu venho tendo diariamente, nos treinos e nos jogos. Taticamente, eu aprendi muito em Portugal (no Porto B). Lá eu aprendi a função do lateral, de verdade. Eles, inclusive, falam lá que é “defesa esquerda”.

3 - Depois daquele jogo contra o Cruzeiro, no qual você deu duas assistências, foi possível dormir?
Foi difícil. Depois de jogo, ainda mais após uma grande vitória, é difícil chegar em casa ou no hotel e dormir. Se dormir. Para lateral, a assistência é até melhor que o gol, às vezes. Fico feliz e, naquele dia, dar duas assistências. Fiquei pensando: “E agora, como vai ser? Tenho que manter o nível.”