Botafogo x Atlético-MG

Glorioso venceu as quatro últimas partidas no Brasileirão (Foto: Vitor Silva/SSPress/Botafogo)

Felippe Rocha e Vinícius Britto
18/10/2016
08:00
Rio de Janeiro (RJ)

Haja coração! Com o Botafogo de Jair Ventura, não tem resultado perdido. A briga pelos três pontos vai até o último minuto. Literalmente. Esta última semana - que coroou a recuperação no Brasileirão - que o diga. Primeiro, foi Bruno Silva no Orlando Scarpelli. Depois, Sassá na Ilha do Governador. E agora, Dudu Cearense, novamente na Arena. Nos três últimos triunfos, o Glorioso venceu com gols marcados nos últimos minutos de jogo, depois dos 40 da etapa final. É com essa emoção que o time se mantém vivo no G6.

Contra o Galo, o segundo tempo vinha sendo um balde de água fria na empolgação alvinegra. O empate tirava o Glorioso da zona de Libertadores. E isso depois de ter o 2 a 0 de vantagem. Mas a emoção final parece estar sempre reservada ao jogos do Botafogo sob a batuta de Jair. Aos 45, Núñez arranjou um escanteio, cobrado com maestria por Camilo na cabeça de Dudu Cearense. Explosão da torcida na Ilha, que vem se acostumando com gols nos minutos finais. O comandante alvinegro até brincou com a sequência.

– Tem que estar (com o coração em dia). A gente dorme pouco, trabalha muito. Prefiro vencer, não importa como. É claro que de maneira leal, mas quero sempre vencer – disse Jair Ventura na coletiva depois do triunfo de domingo.

Mais do que o fator ''emoção'', Jair lembrou da condição física dos seus atletas para conseguir manter um alto nível de intensidade e buscar o resultado no final do jogo. Colocando na balança, foram seis pontos conquistados nos últimos minutos das partidas nessa sequência de quatro vitórias.

– No jogo contra o Figueirense, o Emílio Faro (auxiliar) me alertou que o jogo estava muito aberto no segundo tempo. Que bom. É lógico que jogando dessa maneira você também pode perder. Mas tem vezes que temos que optar por ir para cima. A gente vem fazendo gols no final das partidas. Mérito de todo grupo, da preparação física, do Ednislon Senna (chefe da preparação), da fisiologia. Não adianta eu querer intensidade por 90 minutos, e o time não responder – pondera o técnico, que venceu seu décimo jogo no Brasileirão.

Mas e o torcedor? Prefere a emoção do gol derradeiro ou um triunfo mais tranquilo, sem depender dos minutos finais? Herói da última vitória no apagar das luzes, Dudu Cearense admite que a preferência dos jogadores é pela segunda opção. Contudo, o volante faz ressalvas.

– Quem mais sofre é o torcedor. Quando eu estou fora, não quero passar por isso. Dentro de campo, podemos mudar a situação do jogo. Vencer com tranquilidade é melhor, mas se for sofrendo e continuar vencendo, tudo bem – completa Dudu, que balançou as redes pela primeira vez pelo Botafogo.

Indício do que viria na estreia?

Ganhar os jogos com gol no final tem se tornado uma marca do Botafogo com Jair Ventura no Brasileirão. O que poucos lembram é que, no seu primeiro jogo como técnico efetivado pelo clube, o triunfo também foi no final da partida. O Alvinegro visitava o São Paulo, no Morumbi. Depois de resistir a pressão do mandante - Sidão fez grandes defesas - Sassá completou cruzamento de Diogo Barbosa e garantiu a primeira vitória do então novo técnico.

Se nos anos anteriores o Glorioso sofria com gols no final, o time de Jair mostra o outro lado da moeda. Das 10 vitórias, quatro foram no apagar das luzes.