Cruzeiro x Botafogo

União dos jogadores em torno do técnico tem sido um diferencial  (Foto: Andre Yanckous/AGIF/Lancepress!)

Vinícius Britto
13/09/2016
08:00
Rio de Janeiro (RJ)

Nas entrevistas, os jogadores sempre destacam a força coletiva. Na hora do técnico falar, não é diferente: o mérito vem do grupo. Essa relação dos jogadores com Jair Ventura rende, de imediato, bons frutos para o Botafogo, que se permite sonhar alto agora. Quem sabe, com uma vaga dentro do G-4.

A confiança do técnico em seu grupo é enorme. Até por isso, nos seis jogos em que esteve sob comando do Glorioso, no Brasileiro, 25 jogadores do grupo foram utilizados. Além dos que completam do Sub-20, somente Gegê, Lizio e Anderson Aquino ainda não entraram com o novo técnico. E, para os titulares, sem cadeira cativa. O lema tão adotado por Jair é o da meritocracia.

– Tinha 19 anos que o Botafogo não ganhava aqui (Cruzeiro, no Mineirão). Isso mostra a força do grupo, do nosso trabalho, a importância de todos. O treinador sempre tenta ter o grupo mais homogêneo, mas é difícil. Quem entra vem dando conta. Os resultados estão aparecendo por isso - lembrou o filho do Jairzinho, que completou falando dos constantes desfalques:

- Quatro desfalques novamente, contra o Cruzeiro completinho, Fluminense também... o sonho de todo treinador é repetir a equipe, mas quando não é possível tem que ir se adequando. Cabe ao treinador achar a melhor maneira de jogar. A vitória hoje foi do grupo, de muito trabalho. Parabenizar todo mundo, com os pés no chão – valorizou o comandante alvinegro.

Mesmo com os desfalques, Jair segue com o grupo na mão. Contra o Cruzeiro, jogou com dois laterais esquerdos e três zagueiros entre os titulares. E, mesmo assim, tudo deu certo. O conhecimento das características dos jogadores é a chave do sucesso atual, segundo o lateral-esquerdo Diogo Barbosa, que foi ponta no triunfo em Belo Horizonte:

– A torcida fica meio desconfiada por não conhecer, mas nós conhecíamos o Jair e sabemos da qualidade. Um cara que conhece muito taticamente, que treina pequenos detalhes que podem fazer a diferença nos jogos. E isso que tem nos ajudado a vencer. Tenho certeza que é um cara fundamental para a nossa evolução – analisou o polivalente camisa 6 do Botafogo, na segunda.

As mudanças promovidas tem dado certo. As substituições no decorrer do jogo - como Canales, no Mineirão - também. Demonstrando conhecimento e confiança no elenco, Jair Ventura consegue extrair o que tem de melhor nele.

Recuperação de nomes como Carli, Victor Luis e Canales

A boa relação de Jair com os jogadores pode ser vista no dia-a-dia. Mas também no momento de alguns jogadores dentro da temporada. Antes preteridos com Ricardo Gomes, o novo comandante devolve a confiança e dá tempo em campo para que esses atletas se recuperem. Foi o caso de Carli, Victor Luis e até mesmo Canales, que marcou seu primeiro gol pelo Botafogo.

O zagueiro argentino vinha sofrendo com questões físicas. Depois que retornou, se viu na reserva da dupla Renan Fonseca e Emerson. E agora voltou a ser titular, além de capitão. É o xerife do sistema defensivo.

Com o lateral, é compreensível. Diogo Barbosa tem sido unânime na posição no decorrer da temporada. Mas Victor Luis pedia passagem. Com isso, Jair arranjou espaço para o primeiro no meio e encaixou o lateral entre os titulares. Contra o Cruzeiro, deu duas assistências no triunfo.

No ataque, além da boa fase com Sassá, Jair vai depositando confiança em Canales. Utilizou o chileno no domingo e viu ele desencantando: marcou seu primeiro gol pelo Botafogo. A tendência é que ele volte a ganhar chances nos próximos jogos, já que Sassá saiu do Mineirão com dores na coxa direita.