Felippe Rocha
28/07/2016
06:00
Rio de Janeiro (RJ)

A expressão "sinuca de bico" pode ser aplicada quando não há saída para determinada situação. E é exatamente isso que está se desenhando na relação entre Luis Henrique e o Botafogo. O jogador está sem espaço na equipe, enquanto o contrato com o Glorioso vence em maio do ano que vem. Se assim continuar, a chance de o vínculo não ser renovado fica cada vez mais natural.

O gol de Vinícius Tanque, nesta quarta-feira, contra o Bragantino, resolveu a classificação da equipe na Copa do Brasil, mas deixou clara a situação. Luis Henrique, de 18 anos, está atrás do companheiro, que é três anos mais velho. Além deles, o comando de ataque ainda tem, à frente, Sassá, que se recupera de problemas físicos, e Canales, contratado para ser a solução ofensiva.


O técnico Ricardo Gomes é o pivô do dilema. Ao mesmo tempo em que precisa fazer o melhor para o time, desvalorizar um patrimônio do clube é um preço alto a ser pago. A partir de outubro, seis meses antes do fim do vínculo atual, a joia poderá assinar pré-contrato para jogar em outro lugar. O treinador explica que o jovem atleta precisa, antes de tudo, jogar.

- Temos que ver isso. Ele começou bem no Carioca, depois caiu. É um jogador importante para o clube e falo da pós-formação. De repente, fazer amistosos para que ele tenha tempo de jogo e, quando nós formos utilizá-lo, ele estar mais inteiro. Seria o caso da Copa do Brasil. Ele iniciou todos os outros jogos, mas é muito pouco para um jovem de 18 anos, com qualidade - entende.

O início avassalador da promessa alvinegra pelo time profissional, no ano passado, teve dois gols na estreia e convocação para a Seleção Brasileira Sub-17 em seguida. Tudo isso motivado pelo desempenho no primeiro semestre, quando marcou 14 gols em 10 jogos da Copa do Brasil de juvenis. Vieram, então, a promoção, o sucesso e os insucessos: este ano, 21 jogos e três gols.


Duelos na Copa do Brasil cada vez mais difíceis; o Botafogo brigando contra o rebaixamento no Campeonato Brasileiro; um centroavante jovem, promissor, mas que não conseguiu ser, pelo menos ainda, a solução de gols; a possibilidade cada vez mais concreta de perder um patrimônio cuja multa rescisória é de R$ 60 milhões. Como equilibrar tudo isso? A missão é complexa.

Diante deste cenário, a renovação do contrato parece improvável. Mas mudar de ares de forma definitiva, e, antes, ter que ficar meses ligado ao Glorioso, também não é tão simples. Atuar, diante de tanta concorrência, parece igualmente difícil. O dilema é claro, mas a situação é complexa. E desdobramentos são esperados muito em breve.