Magno

Magno jogou com Dodô e Lúcio Flávio. Ele diz que, para voltar como profissional, apenas longe (Foto: Arquivo Pessoal)

Felippe Rocha
12/01/2016
07:00
Enviado Especial a Domingos Martins (ES)

A tradição do Botafogo já havia se tornado não revelar talentos, até que, em 2006, um jovem de 18 anos surgia. Era Magno, com cabelos volumosos e a esperança da torcida. Mas o tempo passou, técnicos passaram pelo Alvinegro e o meia desapareceu. Após alguns empréstimos, pouco se ouviu falar. Dez anos depois, o agora Magno Juruna está de novo em casa. Em Vila Velha, na Grande Vitória (ES), ele joga, agora, futebol amador. E sem mágoa ou tristeza.

- O melhor final de ano que passei foi esse último. Tenho esposa, filha, plano de saúde. Antes morava com minha mãe. Sinto-me bem para te convidar a vir na minha casa. Agora, estou trabalhando e jogando na várzea.

Os salários não se comparam aos sonhados com a carreira profissional, mas ele não se queixa. Pelo contrário. No fim das contas, a reviravolta na vida do apoiador que tinha o carinho de Cuca foi positiva, na análise dele.

- É melhor jogar ganhando R$500, R$600 por jogo do que ser profissional recebendo, às vezes, 50% do acordado, no fim do mês - explica, ao salientar que as partidas são nos fins de semana. De segunda a sexta-feira, é o emprego de vigilante que ajuda complementar a renda.

Mas como Magno sumiu? A falta de suporte a um jovem de certa forma deslumbrado com o Rio de Janeiro, mesmo sem ganhar um salário considerável, explicam. Voltar para casa, e agora defender o Ilha Real, foi uma solução interessante para quem foi avaliado e posto para jogar com salários de ainda da base.

- Na base não tinha contrato. Nós queríamos tirar foto do Dodô. Eu nunca recebi um real a mais. Recebia R$ 1500 e bonificações - explica..

Na pré-temporada de 2007, o Botafogo foi ao Espírito Santo, a Vitória, para treinos. Agora que o Glorioso voltou ao estado de nascimento dele para treinar, ele quer matar a saudade e pretende visitar a delegação em Domingos Martins.

Nos tempos - que ele classifica como - bons no Botafogo, um episódio, com Cuca de técnico, quase prejudicou Magno.

- Sabiam que eu era sozinho no Rio. Então o Cuca pediu para o Diguinho (hoje no Vasco) me levar pros treinos. O Gottardo queria ajudar. Começou, após me buscar, começou, à época como empresário, a falar o que eu tinha para mim. Neste dia eu cheguei atrasado, falaram de assédio. Isso atrapalhou também.

Entre 2006 e 2007, o Botafogo teve no time Dodô, Zé Roberto, André Lima, Jorge Henrique, Lúcio Flávio, Leandro Guerreiro e Túlio, entre outros. Alguns, consagrados; outros, buscando a afirmação. Magno tentava espaço, mesmo com o físico pouco resistente: sem trabalho forte na base, não rendia bem mais de 15 minutos.

Ovada inesquecível

E em 2007, o Botafogo foi eliminado na Copa Sul-Americana pelo River Plate num jogo marcado negativamente para a torcida alvinegra.

- Tomei tanta ovada no aeroporto que é de chorar mesmo - lembra, hoje, dando risadas.

Mas com as mudanças de treinador, ele acabou treinando separadamente. Em 2008, quando era Ney Franco, uma discussão com o meia Carlos Alberto também teve relevância. A partir dali, ele teve nova boa atuação e voltou a fazer parte dos planos. Mas foi o treinador quem acabou não permanecendo pouco depois. Desiludido, Magno, então, aceitou a rescisão do contrato e rodou pelo nordeste, pelo centro-oeste. Mas é futebol que ele quer mesmo é o das disputas amadoras. A não ser que...

- Um representante do CSA me procurou, ofereceu R$ 4 mil e levar a minha família. Não fui. E a proposta que me tiraria é fora do país. Aí, sim - almeja.