Garrincha

Garrincha chegou a se emocionar com uma das homenagens que recebeu durante sua trajetória (Foto: Arquivo L!)

LANCE!
20/11/2015
14:06
Rio de Janeiro (RJ)

O torcedor do Botafogo não restringe a memória de Mané Garrincha às imagens de seus dribles desconcertantes e à época de glórias no clube ou na Seleção Brasileira. O "craque das pernas tortas", que dá nome ao estádio no qual o Alvinegro pode ser campeão da Série B nesta sexta-feira, foi reverenciado por vários estilos musicais.

Do frevo a uma das baladas mais emocionantes da música brasileira, o LANCE! traz abaixo alguns dos sons que se renderam aos dribles de Mané Garrincha. 

MANÉ GARRINCHA (1959)

No ano seguinte a fazer história com a Seleção Brasileira no Mundial de 1958, o camisa 7 recebeu de presente a marchinha de carnaval "Mané Garrincha". De autoria de Wilson Batista, um dos principais sambistas do Rio de Janeiro, ao lado de Jorge de Castro e Nóbrega de Macedo, a canção foi gravada pela vedete Angelita Martinez.

BALADA NÚMERO 7 (1971) 

Próximo de pendurar as chuteiras, Garrincha recebeu uma homenagem para lá de emocionante. Um dos grandes sucessos de Moacyr Franco, "Balada Número 7", de Alberto Luiz, deixou um rastro de nostalgia para torcedores e para o "craque das pernas tortas". Feita perto da saída de cena de Mané, a canção mais tarde foi utilizada em um jogo de despedida do camisa 7 - na qual o próprio Moacyr Franco esteve no estádio para soltar a voz. 

GARRINCHA (2005)

Um dos integrantes do Quinteto Armorial, grupo de música instrumental que se destacou no Recife, Antônio Nóbrega também dedicou alguns de seus versos ao eterno camisa 7. Com "Garrincha", feita em parceria com Wilson Freire e presente no disco "Nove de Frevereiro", o artista retrata em frevo alguns dos dribles do "anjo torto, barroco a sorrir".

A HISTÓRIA DO GÊNIO DAS PERNAS TORTAS, O CHARLES CHAPLIN DO FUTEBOL, A ALEGRIA DO POVO - MANÉ GARRINCHA (2010)

Três décadas depois de participar do desfile da Mangueira, no ano de 2010 Mané Garrincha voltou a ser lembrado na Marquês de Sapucaí. Com a escola mirim Infantes do Lins, a maneira como o eterno camisa 7 deixou "Joões" para trás e seus feitos pelo Botafogo e pela Seleção Brasileira desfilaram ao som de "A História do Gênio das Pernas Tortas, o Charles Chaplin do Futebol, a Alegria do Povo - Mané Garrincha", escrita por Paulo Marrocos.

GARRINCHA NO ROBERTO CARLOS ESPECIAL (1977) 

Os diálogos de Garrincha com a música renderam até um encontro com Roberto Carlos. Na edição de 1977 no tradicional especial do cantor na Rede Globo, os dois bateram papo de maneira descontraída, enquanto disputavam uma partida de sinuca. 

O ANJO DAS PERNAS TORTAS (1962)

Vinícius de Moraes
O 'poetinha' era botafoguense de coração (Foto: Divulgação)

Um dos maiores compositores e um dos maiores poetas do Brasil, o botafoguense Vinicius de Moraes também dedicou alguns de seus versos a Garrincha. Em "O Anjo das Pernas Tortas", os dribles do Mané é serviram como fundo musical para as palavras do "poetinha".

O ANJO DAS PERNAS TORTAS

A Flávio Porto

A um passe de Didi, Garrincha avança
Colado o couro aos pés, o olhar atento
Dribla um, dribla dois, depois descansa
Como a medir o lance do momento.

Vem-lhe o pressentimento; ele se lança
Mais rápido que o próprio pensamento
Dribla mais um, mais dois; a bola trança
Feliz, entre seus pés - um pé-de-vento!

Num só transporte a multidão contrita
Em ato de morte se levanta e grita
Seu uníssono canto de esperança.

Garrincha, o anjo, escuta e atende: - Goooool!
É pura imagem: um G que chuta um o
Dentro da meta, um 1. É pura dança!