presidente do botafogo, Carlos Eduardo Pereira, e o do Flamengo, Eduardo Bandeira de Melo

Presidentes do Flamengo e do Botafogo têm adotado lados completamente diferentes nos últimos anos

Felippe Rocha e Paulo Victor Reis
15/07/2016
06:30
Rio de Janeiro (RJ)

Botafogo x Flamengo sempre foi e sempre será um clássico. Mas a rivalidade que já existia se intensificou na década passada com as seguidas disputas, em finais de turno e gerais, pelo título estadual. Em 2013, numa nova era da Copa do Brasil, as equipes se encararam nas quartas de final. Como se não bastasse, em pouco mais de um ano as disputaram transcenderam o campo e foram para os bastidores.

O caso mais famoso é de Willian Arão. O volante, que viveu boa temporada no Glorioso, em 2015, mas preferiu mudar de clube e rumar para o Rubro-Negro, é pivô de um problema que gera desgaste físico a ele próprio e aos companheiros. É que a diretoria alvinegra viabilizou a Arena Botafogo para si, mas já deixou claro que a postura dos cartolas rivais na disputa pelo jogador vai gerar um "não" em caso de pedido para jogarem na Ilha do Governador. Para o Fluminense, seria outro caso.

O time da Estrela Solitária trava batalha com Arão desde o ano passado. As partes divergem na interpretação de renovação automática do contrato em caso de pagamento de R$ 400 mil, efetuado pelo Botafogo, mas devolvido pelo atleta duas vezes. Estendido o vínculo, o valor cobrado é no processo é o da multa rescisória: R$ 20 milhões. Flamengo e o jogador se amparam numa regulamentação recente da Fifa, que tornaria nula cláusulas do contrato de Arão com o Alvinegro.

- O caso chegou ao Tribunal Regional do Trabalho (TRT-RJ) e foi distribuído para uma das turmas do tribunal. Agora, está com o relator, que ainda vai marcar o julgamento. Os processos (De Arão para se desligar do Glorioso e do Botafogo exigindo o que lhe julga de direito) foram julgados em conjunto, e o resultado foi desfavorável, num primeiro momento, ao Botafogo - explica Domingos Fleury, vice presidente jurídico do clube, que concluiu:

- Mas vai ficar a cargo do o Tribunal Superior do Trabalho (TST), em Brasília, palavra final. É o primeiro caso da nova regulamentação da Fifa, é matéria nova. Lá será dada a palavra final.


Procurado pela reportagem, o departamento jurídico do Flamengo foi curto:
"O Flamengo não é parte no processo do Atleta x Botafogo e sobre ele não irá se manifestar. No entanto, reitera que jamais celebraria contrato com atleta que mantivesse vínculo com outro clube."

Mas o "Caso Arão" não é o único que movimenta os bastidores do clássico. Há pouco mais de um ano, o canal humorístico no Youtube Porta dos Fundos publicou um vídeo chamado "Patrocínio", no qual satiriza as muitas marcas nas camisas dos times de futebol. Na gravação, que ficou no ar durante 15 dias, o Botafogo enfrentava o Flamengo e tinha, no uniforme, cerca de dez logomarcas.

A diretoria alvinegra entende que, no período, sofreu prejuízo de marca. E fez uma cobrança milionária num processo que se arrasta. Colabora para a rivalidade entre os clubes o fato de Antonio Tabet, um dos criadores do canal, ser o atual vice-presidente de comunicação do Rubro-Negro.

- A correspondência voltou, como se o endereço oficial do Porta dos Fundos não existisse. Então, a alternativa que tivemos foi mandar citar o Fabio Porchat, há cerca de um mês, num fim de semana em que ele se apresentaria num teatro aqui do Rio. O oficial de justiça iria ao teatro, mas, no dia seguinte à determinação, o Porta dos Fundos entra nos autos, como se estivessem se furtando, antes. Sabem que é uma ação perdida e, quando viram que o oficial causaria um constrangimento, correram. É inevitável que, até o fim do ano, o juiz marque uma nova audiência e, se não houver um acordo razoável, o processo vai seguir com a apuração de quanto eles ganharam naqueles 15 dias. É um vídeo que deprecia - entende Fleury.

Para completar, causou incômodo na Gávea a quantidade de apenas 1.500 ingressos colocados à disposição da torcida do Flamengo para o clássico deste sábado. A carga equivale a 10% dos 15 mil postos à venda. Em clássicos nos outros estádios, o comum, ao longo dos anos, foi a divisão meio a meio.