Felippe Rocha e Vinícius Britto
08/09/2017
07:00
Rio de Janeiro (RJ)

Há quem diga que a revolta de Carlos Augusto Montenegro, então vice-presidente de futebol, após a eliminação para o River Plate na Copa Sul-Americana, tenha abalado o Botafogo em 2007. Porém, muita coisa além daquela bronca homérica aconteceu naquele ano que impediu o time de ser campeão, além de ter encantado o país com o futebol apresentado naquela temporada. A quinto e última reportagem da série especial sobre o "Carrossel Alvinegro" lembra as polêmicas e o declínio daquela equipe.

Um fator primário que resultou em problemas em jogos do início ao fim do ano foi o alto número de gols sofridos. Se o ataque era avassalador (1,95 gol/jogo), a defesa deixou muito a desejar: a média foi de 1,45 gol sofrido por partida. Tanto que a posição de goleiro viveu drama com falhas de todos que entraram em campo, e em momentos cruciais como a final estadual e a semifinal da Copa do Brasil. Outro exemplo é Juninho, zagueiro que ficou conhecido muito mais pelas cobranças de falta do que pelo poder de marcação.

O elenco reduzido também dificultou os trabalhos de Cuca. Porém, foi um tempo de vacas mais magras do que atualmente, e do qual Bebeto de Freitas, presidente do clube à época, tem uma visão macro. O ex-mandatário entende que os bons momentos superam os problemas daquela época.

- Faltou um pouco de tudo porque era o momento que o clube vivia. Faltou sustentação financeira, um monte de coisas. De todas as formas, estávamos tocando o barco para frente. Não quero entrar no mérito porque acho diferente. Olho o que aquele grupo trouxe, e o botafoguense voltou a sofrer com o clube. Isso está na nossa alma, é importante. O botafoguense estava indiferente. Aquele grupo nos trouxe de novo o sofrimento, e quem é botafoguense sabe do que eu estou falando - afirma Bebeto.

Mas houve também o imponderável. Dodô teve um ano fantástico, foi o artilheiro da equipe com 34 gols, mas foi pego no exame antidoping do dia 14 de junho (vitória por 4 a 0 sobre o Vasco, pelo Campeonato Brasileiro). Até hoje ele nega, diz não saber como fez uso da substância proibida fenproporex. O clube, na época, também não se entendeu culpado.

O jogador foi suspenso pelo Superior Tribunal de Justiça Desportiva (STJD), depois absolvido e, após recurso da Fifa, já em 2008, defendendo o Fluminense, acabou suspenso definitivamente. Porém, o ambiente alvinegro naquele segundo semestre de 2007, acabou comprometido. Pelo menos assim entende Manoel Renha, dirigente naqueles tempos e nos tempos atuais.

- O episódio do Dodô foi um negócio... ficou um clima muito ruim depois daquela suspensão que até hoje ninguém entende. Foi um negócio muito estranho. Eu ficava com a nutricionista da época medindo cafeína... a partir dali desandou. Era um grande time. Dava muito gosto de ver - recorda Renha.

Cuca era o treinador do Botafogo na época e concorda com os problemas já elencados. Até porque houve contratações feitas no meio da temporada que não deram certo, como Athirson. E além de Dodô, referência daquele ataque, um líder do meio-campo também pegou gancho no segundo turno do Campeonato Brasileiro.

- O Dodô, sim. Estávamos líderes absolutos e o elenco era curto. Se tivéssemos um grande elenco seríamos campeões. Perdemos o Dodô e não se esqueça que perdemos o Túlio também, num jogo contra o São Paulo, no Maracanã - lembra Cuca.