Felippe Rocha e Vinícius Britto
07/09/2017
07:00
Rio de Janeiro (RJ)

No campo, a movimentação dos jogadores do Botafogo parecia uma coreografia. Na arquibancada, naquele mesmo 2007, surgia um canto que embalou aquele time e, durante anos, foi o principal canto dos torcedores alvinegros. O "Ninguém Cala" e seu criador são o tema da quarta reportagem da série sobre a equipe que encantou, mas não conquistou título.

A grande coincidência da história é que Leonardo Pereira, autor da versão de uma música do Porto (Portugal), era assíduo frequentador de estádios à época, mas hoje é editor deste mesmo LANCE!. E mais: Danilo Santos, repórter que pesquisou a história naquele ano (vide imagem na galeria acima), hoje trabalha no próprio Botafogo. Enfim, o criador da canção lembra o primeiro dia em que o Maracanã ouviu seu feito:

- Eu e mais alguns malucos, no intervalo do jogo Botafogo x Fluminense, pela Taça Rio, 1 a 0, gol de Diguinho. Carlos Alberto teve um pênalti defendido por Júlio César. Naquela época, ninguém havia estado na cidade do Porto, mas o Youtube começava a fazer sucesso. Éramos frequentadores de arquibancada, conhecíamos cantos de algumas torcidas famosas e, no Porto, a língua é a mesma. Só fizemos a adaptação - explica.

Entretanto, não foi da noite para o dia que o Ninguém Cala ganhou a torcida. Demorou semanas. "E ninguém cala esse nosso amor/e é por isso que eu canto assim/e é por ti, Fogo!". Prático, fácil, mas foi se tornando conhecida aos poucos. Precisou da insistência de Leo Pereira e seus amigos.

- Não foi cantada por todo o estádio nesse dia, somente por alguns setores. Outros olhavam e diziam: "esses malucos estão cantando há 15 minutos!" Mas três meses depois, contra o Grêmio, que estava com reservas, o Botafogo deu uma surra. O estádio todo já estava entoando a canção. Aí seguiu e não parou mais - lembra o editor, que não esperava tamanho êxito da canção:

- Não esperava, não. Diziam que a música dava azar, que o Botafogo não ganhava nada por causa da música. Mas anos depois o time ganhou o Carioca de 2010, depois o de 2013, e disputou finais. Nada disso de azar, não. Apesar de que eu levo azar para onde estou. Quem me conhece sabe - finaliza.