Jair Ventura - Botafogo x Cruzeiro

Jair tem 80% de aproveitamento dentro do Brasileirão (Foto: Celso Pupo/Fotoarena/Lancepress)

Felippe Rocha e Vinícius Britto
10/09/2016
08:00
Rio de Janeiro (RJ)

A evolução que fez o Botafogo sair da zona de rebaixamento e se colocar, após esta 23 rodada, na décima posição do Campeonato Brasileiro, tem muito a ver com o comando de Jair Ventura na equipe. Talvez seja coincidência, certamente há bastante do trabalho que vinha sendo desenvolvido por Ricardo Gomes, mas as marcas do estilo do novo treinador já são percebidas, mesmo que de maneira ainda discreta.

Um fator evidente é a intensidade da equipe. É perceptível durante os treinos e os próprios jogadores comentam a forma vibrante do técnico, na preparação e nos jogos, em oposição às poucas orientações do antecessor (questão de personalidade e que nada tem a ver com o acidente vascular cerebral de 2011), principalmente durante as partidas.

– Ele está sendo importantíssimo. O Jair é um cara jovem, mas com bastante experiência. E ele vem passando tranquilidade, pedindo competitividade, para nós nos doarmos até o final, e isso vem acontecendo. Contra o São Paulo, contra o Fluminense... esse papel é importantíssimo e estamos colhendo os frutos agora – entende o atacante Neilton.

Em termos de números, os dados do Footstats comprovam o início de uma mudança de estilo no Glorioso. Apesar de a escalação preferencial ser a mesma e o esquema tático adotado também seja o 4-3-1-2, sob às ordens de Ventura, o Botafogo tem menos a posse de bola, troca menos passes, porém finaliza mais vezes. Além disso, a defesa conseguiu melhorar um pouco seu desempenho.

– O Jair nos dá liberdade total. Até porque ele quer ganhar e nós também. A confiança é mútua. Quando se tem sequência efetivado, por ser um treinador novo, é importante conseguir o resultado. No imediatismo do Brasil, há cobrança e ele é um cara que cobra bastante, mas sempre na leitura do jogo. Isso nos ajuda. Todos estão querendo se sacrificar a cada jogo – diz o volante Dudu Cearense.

Naturalmente, manter o retrospecto de 80% no Brasileirão será difícil até o final. Mas se o Estilo Jair Ventura deu certo até agora, por que não acreditar que vai continuar funcionando?

Três mudanças na comparação com Ricardo Gomes:
Incisivo e direto
Com Ricardo Gomes, a posse de bola terminava próxima na comparação com a dos adversários. Com Jair, o Botafogo trabalha mais sem bola, se fechando bem, como contra Grêmio e Flu, quando teve 37% de posse da bola.

Mais desarmes
Na comparação, no trabalho do técnico atual, o Botafogo desarma mais. E perde menos a bola nesse aspecto, no comparativo dos últimos três jogos de cada um no clube. Com isso, não é tão surpreendido nos contra-ataques.

Menos passes
Enquanto que, com Ricardo Gomes, foram 984 passes trocados, com Jair foram 810 passes. Mesmo assim, o time do segundo finalizou mais vezes (32 contra 25 do ex-comandante do Bota e atual do São Paulo).