Anselmo Ramon

(Foto: Divulgação)

Rafael Bortoloti 
16/12/2017
07:00
Rio de Janeiro (RJ)

1,82 m, peso sempre na casa dos 80kg, menos de 30 anos, experiência nacional e internacional, passado de gols, embora já tenha convivido com momentos de seca e como um centroavante típico, está longe de ser um jogador veloz: este é o Anselmo Ramon, atacante do Hangzhou Greentown, da China, há quase quatro temporadas, e que pode reforçar o Botafogo em 2018 e substituir Roger, que foi para o Internacional. É um bom nome para o Alvinegro se reforçar? Para começar a discussão, falemos um pouco sobre o histórico do "Ramonstro".

Baiano de Camaçari, o atacante acertou com o Cruzeiro há dez anos, após uma excelente Copinha pelo Bahia. Nos primeiros anos de Raposa, ficou como opção nas categorias de base. Subiu, nem estreou e foi emprestado. Foram oito equipes até o time Celeste enxergar que a hora do retorno, em 2011:Itaúna-MG, Cabofriense-RJ, Kashima Reysol, do Japão, Rio Branco-SP, Avaí-SC, CFR Cluj, da Romênia e Oeste-SP. No time do Rio, fez apenas um gol, contra o Fluminense, em vitória por 3 a 1 no Campeonato Carioca de 2009.

Não marcou nos times de fora do Brasil e nem no Avaí, mas foi goleador no Rio Branco e no Oeste. Neste último, por sinal, foi vice-artilheiro do Paulista de 2011, com dez gols, apenas um a menos que Liedson e Elano. Este desempenho fez a Raposa trazê-lo de volta.

Estreou com gol pelo Cruzeiro. Foi no empate em 1 a 1 com o Palmeiras, pela segunda rodada do Campeonato Brasileiro. Foram 26 jogos e 10 gols. No ano seguinte, um pouco mais: 41 jogos e 13 bolas na rede, quase sempre atuando os 90 minutos. Ele encerrou aquela temporada como o vice-artilheiro do time mineiro, atrás apenas de Wellington Paulista. Em 2013, foram mais dois gols em jogos oficiais e um terceiro em amistoso. Essa foi uma temporada sem espaço para ele. Com o alto investimento da Raposa, que acabara campeã brasileira, houve muita concorrência: Ricardo Goulart, Everton Ribeiro, Borges e Dagoberto. Ao todo, foram 84 jogos oficiais e 25 gols.

Gols e desvalorização na China


No início de 2014, em fevereiro, mais um empréstimo, agora para o Hangzhou Greentown. Um ano depois, foi vendido para o mesmo clube, por cerca de R$ 8 milhões. Foram 41 gols em 88 jogos, mas o time caiu à segunda divisão em 2016 e não conseguiu o retorno nesta temporada. Com o contrato no fim e o clube chinês necessitando de uma reforma, pode perder espaço.

Se muitos jogadores da elite chinesa voltam ao Brasil e sofrem com adaptação, porque um atleta da divisão de acesso daria certo? E porque o investimento é válido? A resposta pode estar no salário: ele deixou o Cruzeiro ganhando menos de R$ 150 mil, algo dentro da faixa que o Botafogo quer e pode pagar. É claro que a inflação do período faz com que esse salário fosse outro hoje. Por outro lado, fez um "pé de meia" na China e pode aceitar ganhar algo em torno do que ganhava em Minas. Além disso, de acordo com o site transfermarkt, ele se desvalorizou desde a saída da Raposa: Hoje, vale cerca de € 550 mil. Saiu do Cruzeiro valendo algo em torno de €750 mil

A questão salarial, inclusive, é um dos fatores que faz o Botafogo chegar hoje ainda sem um centroavante para 2018. Roger, que ganhava na casa dos 130, pediu 250 para o Botafogo e não houve acordo. Este foi o mesmo valor desejado por Rafael Moura e um pouco acima do que quis Gilberto.

Opinião dos especialistas:

Eduardo Mansell - Editor do LANCE!

Anselmo Ramon como o camisa 9 para 2018, com todo o respeito ao jogador, é ironizar o sentimento da torcida que sonha com um time no mínimo competitivo, como foi o de 2017. Não é possível que o departamento de futebol não pense em alternativas um pouco mais à altura da história do Botafogo. E não precisa ter o bolso cheio de dinheiro, mas sim criatividade. Trata-se de um jogador que não vai acrescentar em nada ao time e dificilmente emplacará uma sequência como titular. Para contratá-lo, melhor permanecer com Vinícius Tanque e apostar em outros da base, como Renan Gorne. Ambos com mais qualidade que o pretendido reforço.

Leonardo Pereira - Editor do LANCE!

Vejo Anselmo Ramon abaixo de Roger. Teoricamente, o Botafogo sai perdendo nesta "troca". O novo reforço é um atacante que nunca se firmou no futebol brasileiro. Na única passagem por um clube grande (o Cruzeiro), não deixou saudade. Espero vê-lo provar que este reles editor está equivocado.

Vinicius Grissi - Rádio Transamérica de Belo Horizonte

O Anselmo Ramon alternou muitos altos e baixos com a camisa do Cruzeiro. É um atacante que tem presença de área e apesar de não ter tanta mobilidade é bem ágil. A principal marca dele em BH foi aparecer bem nos momentos em que o clube mais precisou, embora tenha brilhado pouco. Acho que pode ser um bom nome para o Botafogo, principalmente levando em conta a quantidade de jogadores que elevaram o potencial nas passagens recentes pelo clube. Vejo muitas características parecidas com as de Roger, que foi bem neste ano. Acho que o Anselmo vai ajudar bastante se fechar. Acho bem parecido mesmo com o Roger em características. É bem melhor que o Rafael Moura.

Felippe Rocha - Repórter do LANCE!

Aparentemente, o 2017 de Anselmo Ramon não foi bom, mas ele é três anos mais novo que o Roger, por exemplo. Se ele mantiver a média de gols do Roger e conseguir contribuir fazendo o pivô, por exemplo, ele será útil. Agora, tem que ser dentro da realidade financeira do Botafogo. Não pode ser algo estratosférico como recebia na China.