Lazlo Dalfovo
24/04/2018
08:05
Rio de Janeiro (RJ)

Se já há uma nítida identidade do Botafogo de Alberto Valentim, apreciador da posse de bola, existe o contraponto, que é a incessante busca pelo equilíbrio dos sistemas ofensivos e defensivos para o imperdoável Campeonato Brasileiro, algo que o técnico sempre frisa em suas entrevistas. 

Contra o Sport, em Recife e pela segunda rodada, o Botafogo se deparou com outro desafio além do rival pressionado: o gramado "impraticável", conforme sublinhou Valentim. O terreno encharcado, decorrência das fortes chuvas na região, prejudicou a atuação dos cariocas, sobretudo as dos meio-campistas alvinegros, Rodrigo Lindoso, Matheus Fernandes e Gustavo Bochecha, mais técnicos do que físicos. A trinca não fluiu, muito menos municiou as pontas, compostas por Valencia e Rodrigo Pimpão, e Brenner, a referência.

Valentim, assim, teve que optar por uma mudança de estilo de jogo, que vinha sendo de posse de bola, verticalidade e passes curtos entre as linhas. O próprio treinador admitiu a postura alterada, porém enalteceu a manutenção da organização de seus comandados, que não desconfiguraram o 4-3-2-1.

- Hoje era preciso um jogo de mais força. Por isso o Pachu entrou pela beirada, pois era necessário conseguir a primeira bola. Não era dia de um camisa 10, como eu tinha o Marcos Vinícius no banco ou a possibilidade de recuar o Brenner. Por causa do gramado, precisava de um time de mais força e eu pedi para o time lançar mais, algo que não estou acostumado a fazer - realçou.

Para se ter ideia do deserto de ideias do Glorioso na última noite, apenas a bola do gol de Lindoso, já nos acréscimos do segundo tempo, foi em direção à meta rubro-negra. E mais: certamente, o segundo ponto no Brasileiro não seria conquistado se não fosse a atuação monstruosa de Gatito Fernández, que trabalhou em nada mais, nada menos, 11 bolas contra a sua baliza. 

Agora, o desafio será contra o Grêmio, o time mais organizado do país, no sábado, em casa. Valentim terá quatro sessões de treinos para afinar a equipe, que provavelmente poderá voltar a ter Renatinho e Luiz Fernando, além de ver a estreia de Aguirre - se tudo ocorrer como planejado. Ou seja, ótima oportunidade de voltar a se mostrar grandioso e a se impor, como ocorreram na final do Campeonato Carioca e na estreia do nacional, contra o Palmeiras. 

COMO O BOTAFOGO INICIOU

COMO O BOTAFOGO TERMINOU