Mauricio Assumpção, ex-presidente do Botafogo

Mauricio Assumpção deixou o clube de General Severiano pela porta dos fundos (Foto: Cleber Mendes/Lancepress!)

LANCE!
24/10/2017
11:23
Rio de Janeiro (RJ)

O ex-presidente do Botafogo, Mauricio Assumpção, já foi expulso do quadro de sócios, mas agora é alvo de notícia de crime por parte do clube. Ele e a construtora Odebrecht estão no centro da denúncia feita por parte do clube a respeito de contratos assinados em 2013 e 2014, e que teriam sido prejudiciais ao Glorioso. Pelo entendimento do clube, a interdição do Estádio Nilton Santos, a partir de parecer técnico da Odebrecht, foi suspeita.

O favorecimento seria ao Complexo Maracanã S.A., formado pela construtora para gerir o Maior do Mundo. O estádio do Botafogo esteve fechado por quase dois anos, sob a justificativa de obras a serem feitas. Estudos posteriores, porém, mostraram que não era necessária nenhuma obra no local. Ato contínuo, a diretoria alvinegra obteve R$20 milhões em empréstimos junto à Odebrecht. O valor não é cobrado pela empresa.

Além de Assumpção (presidente do Alvinegro entre o fim de 2008 e o fim de 2014, Sérgio Landau (ex-dirigente daquela gestão), Benedito Barbosa da Silva Junior, Leandro Andrade Azevedo (ex-altos executivos da Odebrecht) e João Borba Filho (presidente do Complexo Maracanã) são citados.

Benedicto é nome conhecido no noticiário político-criminal dos últimos anos. Ele chegou a ficar conhecido como o "Campeão de delações", pelos 30 investigados na Operação Lava-Jato e seus desdobramentos a partir dos depoimentos dele. Leandro também esteve envolvido no cenário criminal. Este, quando o ex-governador do Rio Anthony Garotinho foi preso, ainda em 2017.

Por sua vez, João Borba Filho é ex-executivo da Odebrecht. Em abril deste ano, ele delatou que havia sido escalado pela empresa para "operacionalizar um caixa 2" com o ex-governador do Rio, Sérgio Cabral.

Confira a nota emitida pelo Glorioso na nota oficial na manhã desta terça-feira.

"O Botafogo de Futebol e Regatas, em virtude de apurações internas para verificar a regularidade, a legalidade e a ética de atos realizados pela gestão anterior do clube, vem informar que apresentou uma notícia de crime perante a 5ª Delegacia de Polícia, contra Maurício Assumpção Souza Junior, Sérgio Landau, Benedito Barbosa da Silva Junior (Diretor Presidente da Odebrecht), Leandro Andrade Azevedo (Diretor da Odebrecht) e João Borba Filho (Presidente do Complexo Maracanã Entretenimento S.A.).

O pedido de instauração de inquérito policial para averiguação dos fatos decorre de 2 contratos de mútuo assinados pelo ex presidente do Botafogo, Sr. Maurício Assumpção Souza Junior com a Odebrecht, em 2013 e 2014, no valor total histórico de R$ 20.000.000,00, em condições suspeitas e com graves prejuízos ao Clube.

A notícia de crime subscrita pelo advogado contratado pelo Botafogo, Dr. Walmer Jorge Machado, relatou à autoridade policial o seguinte: “na verdade, Dr. Delegado, a cronologia dos fatos sugere uma possível manobra da Odebrecht para justificar a interdição do Estádio Nilton Santos, pois, segundo a matéria veiculada na Folha de São Paulo dia 02.02.2016, a Racional Engenharia, responsável por projetar e realizar a maior parte da obra do Estádio Nilton Santos, teria feito um minucioso estudo técnico afirmando que o estádio não deveria ter sido fechado. Válido lembrar que a interdição do Nilton Santos foi baseada em parecer técnico da Odebrecht, sendo dificílimo não imaginar que a finalidade consistiu em beneficiar o Complexo Maracanã Entretenimento S.A., empresa integrante do Consórcio formado pela Odebrecht para administrar e operar o Estádio Maracanã.”

Existem fortes indícios que o Botafogo de Futebol e Regatas, por intermédio dos referidos contratos de mútuo, tenha sido vítima de atividades suspeitas, as quais merecem apuração da autoridade competente que, diante da consistência do que lhe foi apresentado, já determinou a abertura do inquérito policial e a providência para a oitiva dos envolvidos.

A atual direção do Botafogo de Futebol e Regatas tem a obrigação e o dever de zelar pelo respeito e pela preservação do patrimônio do clube."