NEGÓCIOS DA CHINA

Ruiz como os irmãos Marcos e Vitor (que preferem assinar Guedes), não "tive escolha": jornalismo e futebol estão na veia da família. Há oito anos, circulo pelas redações de TV/jornal/rádio/internet assinando comentários/matérias e colunas de futebol. Cara feia e grosseria nunca foram adversários que colocassem em risco o trabalho, meu maior prazer e orgulho.

mariliar@lancenet.com.br

Diário: Orgulho chinês

postado por Marilia Ruiz

Uma vendedora ambulante de Pequim me relembrou do desafio chinês que virou obsessão do Governo: internacionalizar a China com a cara
da China. “Bolsas? Tenho todas as marcas: Dior, Louis Vitton, Gucci...”, disse ela, tentando
empurrar, claro, pirataria. Mas e a bolsa chinesa???
Que a China está internacionalizada, não é necessário mais do que uma checada nas etique-
tas dos produtos que consumidores do mundo todo adquirem para se certificar... Mas quantos desses produtos são “chineses”? Qual a marca chinesa de
refrigerante que você mais gosta? E qual a marca de roupa? E o tênis? E o perfume?
Muitas marcas internacionais “usam” a China para crescer na China (claro!!!) e no mundo, devido as facilidades oferecidas aqui para produções mais
baratas. O “problema” que isso gerou para o mercado interno é que a invasão das “famosas”
inibiu o “aparecimento” das tradicionais marcas chinesas - que, atenção, abocanham, segundo dados oficiais, mais de 60% do mercado chinês formado por nada menos de 1,3 bilhão de pessoas - nada pequeno, ok?
O que as empresas chinesas começam a fazer é o que a pioneira Tsingtao, centenária, de origem anglo-germânica, já faz com sucesso. Primeira empresa chinesa a estabelecer escritórios e filiais no exterior ( na década de 1990), a fábrica de cerveja da cidade de Qingdao foi abocanhada em parte pela enorme InBev e ficou conhecida. A Chi-
na quer ser conhecida...

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Marília Ruiz está na China há 4 semanas, de onde escreve diariamente, para a versão impressa do LANCE!, a coluna "Negócios da China"

20/08/2008 23:53

 

Diários: Criança esperança

postado por Marilia Ruiz

Criança-esperança

Óbvio ululante, o cuidado com as crianças deve ser política pública prioritária. Até na China. Ainda que por razões tortas algumas vezes.
Quem nunca ouviu falar de histórias horripilantes de maus tratos, exploração e até “assassinato” de crianças chinesas por causa de uma preferência
por sexo?
Quem não se chocou com a notícia recente de que a organização dos Jogos-2008 “escondeu” a menininha de cinco anos que cantaria na abertura porque ela não era bonita o suficiente para representar o país na frente das câmeras?
E quem somos nós, brasileiros, perguntariam os chineses, para dar lição de moral no assunto infância abandonada?
De fato, longe de ser referência, o Brasil tem sim é ficha corrida de abusos e desrespeitos
graves contra o Estatuto da Criança e do Adolescente.
Escolher entre menina e menino é tão grave quanto abandonar meninos e meninas aos cuidados da cola e do crack... Colocar criança para trabalhar em fábrica é tão errado quanto explorar suas habilidades forçadas nos faróis e esquinas. Fazer vistas grossas às clínicas clandestinas de aborto também não é falha exclusiva do Governo
deste lado do mundo...
Erros brasileiros gritantes não apagam o choque de saber que a mortalidade infantil, que
está na média de 21 por 1000 nascimentos, é 20% menor entre os meninos. Por quê? Porque no
“país do presente” o passado machista ainda grita alto.

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Marília Ruiz está na China desde 24 de julho, de onde escreve diariamente a coluna "Negócios da China" publicada na íntegra na versão impressa do LANCE!

19/08/2008 14:32

 

Diário: Tinta fresca

postado por Marilia Ruiz

Tinta fresca


Ser politicamente correto deixou de ser moda para ser lei com multas severas, que deixam qualquer desencanado com o futuro do “mico-leão-dourado-de-cílios-brancos” preoupados com a reciclagem do lixo do próprio condomínio.
Sei bem disso porque é exatamente meu caso.
Faço a minha parte, separo o lixo, fecho a torneira, não tenho animais silvestres (graças a
Deus), não uso roupa de pele (?!?), uso papel reciclado, tenho um carro flex, mas realmente
não procuro saber as últimas novidades da antepenúltima (sempre tem uma próxima que
será a última) ararinha azul.
Isso posto, vale meu relato – chocado – da relação com a natureza que os chineses, em média, tem: reciclagem de latas e papel é tão novo por aqui como a possibilidade de comprar o iPhone 3G; reciclagem aqui é tema olímpico, faz parte do pacote “vamos ficar bonitos para a foto que o mundo vai tirar”; preservar a natureza é tão abstrato como a pintura (!!!!) verde que a po-
pulação de Funin providenciou na encosta da montanha que foi destruída pela exploração de
uma pedreira...
Claro, por livre e espontânea pressão internacional, o Governo chinês já sinaliza com restrições e regras ecologicamente
aceitáveis para jogar o jogo do comércio internacional. É de se pensar nisso quando se visita o lugar que os chineses consideram o mais bonito do mundo - Guilin, no Sudeste do páis. Um
camelódromo foi montado em um sítio histórico...


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Marília Ruiz está na China desde 24 de julho, de onde escreve diariamente a coluna "Negócios da China", publicada na íntegra na versão impressa do LANCE!

19/08/2008 14:28

 

Em cima do LANCE! - Qingdao

postado por Marilia Ruiz




Video: Bronze para o Brasil na Vela

19/08/2008 13:28

 

Em cima do L! - Direto de Guilin

postado por Marilia Ruiz




Video: Em Cima do Lance! - Direto de Guilin

18/08/2008 14:16

 

Educação física

postado por Marilia Ruiz

Quem conhece os Ruiz (da minha família) já ouviu a frase: “Futebol é esporte, e o resto é educação física.”
Motivo de piripaques nervosos dos meus amigos que adoram vôlei, basquete e todos aqueles esportes que a maioria de nós “descobre” a cada quatro anos, a frase tem a ver com a monocultura esportiva brasileira, que nos embriaga dos tais 22 homens correndo atrás de uma bola mesmo antes de a gente nascer – quando alguém já se vê no
direito de escolher o time para o qual vamos torcer. A frase tem a ver com as pinceladas que recebemos de cada um desses pulinhos, saltinhos, bolinhas e cordinhas que apenas nos “mostram” nas poucas aulas de esporte que as escolas legalmente (infelizmente) oferecem.
Aqui na China, entretanto, descobri um país em que a locução tem seu sentido literal cumprido à risca. Se muitas vezes a nossa “educação física” é lazer ou “aula vaga”, aqui é coisa séria. Seríssima. Questão de saúde pública. De serenidade mental. De sucesso olímpico.
Aqui, o correspodente aos nossos campinhos de várzea (“celeiro de (poucos) craques” que vão render milhões a poucas pessoas) são praças e mais praças – bem cuidadas –, destinadas à prática de vários esportes por pessoas de todas as idades, incentivadas pela própria formação/campanhas governamentais e supervisionadas por responsáveis da área médica.
Educação física: esporte a serviço da educação e do físico, literalmente, como tem que ser.

17/08/2008 19:28

 

Diário: Made in China

postado por Marilia Ruiz

E que tal a China? Todo
mundo quer saber das minhas
impressões sobre as coisas, os
cheiros, as paisagens... Quer sa-
ber das histórias que eu certa-
mente tenho aos montes para
contar. Difícil é editar de uma
maneira uniforme tudo que
chama atenção, que é curioso,
que torna a viagem por esse
país tão deliciosamente fasci-
nante aos nossos olhinhos
amendoados e ocidentais.
De tudo o que eu já pude
ver/relatar/descrever por aqui,
nada é mais diferente/chamati-
vo/curioso do que "o" chinês.
Falam diferente, andam dife-
rente, comem diferente, sentam
diferente, sonham diferente...
O mesmo par de tênis nos pés
(que agora eles podem e adoram
usar!!!) não muda a essência de
um povo ainda fiel à sua histó-
ria, cultura e manutenção de
suas tradições milenares.
As lojas chinesas hoje têm
tudo que se encontra no ociden-
te. Tudo! Mas os chineses não se
seduzem por tudo, não...
Preferem, óbvio, a própria
comida. Não trocam o “dolce far
niente“ de cócoras por uma boa
espreguiçadeira. Acham que fi-
la é uma instituição falida...
Não têm problemas para usar
banheiros coletivos. Pergun-
tam, sem cerimônia, quanto vo-
cê ganha. Ofendem-se caso um
convidado não saia completa-
mente bêbado de jantar ofereci-
do em sua homenagem. Não se
beijam em público, mas andam
(homens e mulheres) de braços
dados... Longe de mim generali-
zar 1, 3 bilhão de pessoas, mas as
melhores fotos da China são as
que eu tirei dos chineses.

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Marília Ruiz está na China desde o dia 24 de julho, de onde escreve diariamente a coluna "Negócios da CHina" para a versão impressa do LANCE!

16/08/2008 21:31

 

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