|
A goleada histórica e seus efeitos sobre a dupla Gre-Nalpostado por Futebol Gaúcho Se a casa se desarruma com derrota em Gre-Nal, com goleada vai abaixo. E o tempo para reconstruí-la é o mesmo que os adversários aproveitam para fabricar a vantagem. Então, é o seguinte: Celso Roth confirmou a mágica escrita aquela, de que entrega o ouro depois de achar a mina, e o Grêmio pode aspirar no máximo uma vaga na Libertadores. Certo?
E a soberba do Inter, depois do chocolate galáctico, é o maior risco a enfrentar na caminhada rumo ao G-4. OK?
São teses em curso na praça. Das quais é fácil discordar, pela simples razão de que colocam fatores anímicos, portanto subjetivos, à frente dos problemas reais.
O Grêmio poderá muito bem se manter em sua privilegiada posição, se vencer seus dois próximos jogos, contra os combalidos Botafogo e Santos, e o seguinte, contra a frágil Portuguesa, no Canindé. E reembalar. Mas tem dois problemas concretos: os desfalques e o fraco de Celso Roth.
Perder Tcheco, Pereira - o núcleo de liderança técnica e moral da equipe -, mais Perea, Orteman e, quem sabe, Souza, leva a uma remexida geral. Resultado: baques e ruídos no entrosamento. E Celso Roth, cujo ponto forte é montar um conjunto harmonioso a longo prazo, não tem mostrado o mesmo talento na hora de administrar crises de conjuntura. Ver seu mau desempenho no Gre-Nal de domingo. O momento é crucial. No primeiro turno, as lesões e os cartões pouparam o Grêmio; no segundo, estão vindo em enxurrada.
É o que pode dificultar a reação da equipe, não a psicologia.
Quanto ao Inter, a hipótese de cair por soberba é inconcebível, pois não recuperou nem a metade do tempo perdido. O que pode impedir sua chegada ao G-4 é justo esse - o fato de ter-se atrasado demais na remontagem da equipe. Que enfim mostrou na real a qualidade presumida, efeito do entrosamento entre os acima-da-média Guiñazú, Alex, D'Alessandro e Nilmar.
Só que a caminhada continuará a ser feita sobre o fio da navalha. |
Começou a boa fase do Inter. E a do Grêmio?postado por Futebol Gaúcho O ótimo desempenho do Inter na maior parte do jogo contra o Botafogo surpreendeu os cariocas: como uma equipe com tantos jogadores de qualidade, como Alex, Nilmar e os argentinos Guiñazú e D’Alessandro, pode ter feito, até aqui, campanha tão pífia no Brasileiro?
A seguir, algumas respostas.
Saíram muitos jogadores – pelo menos um deles, Iarley, por erro da direção de futebol.
Entraram outros tantos.
Nilmar e Alex passaram várias partidas lesionados.
D’Alessandro desembarcou em Porto Alegre em início de temporada (pelo calendário argentino), além de ter necessitado de tempo de adaptação. Seu caso e outros ilustram o desnível na preparação física, recém agora se atenuando.
A janela de agosto, pela qual entraram propostas tentadoras para Nilmar, Alex e Guiñazú, mexeu com a cabeça dos três.
“Se bastasse juntar os craques, a Seleção Brasileira seria imbatível sem treinar” (Tite, o técnico, que pegou o bonde andando).
Apesar do alento – e de os dois próximos jogos serem em casa, o que poderá levar o time a uma inédita seqüência de mais de duas vitórias –, o Inter ainda precisa consolidar o tal entrosamento, que por enquanto é apenas um vislumbre.
Se o “mau momento” do Colorado foi quase todo o campeonato exceto as rodadas mais recentes, o do Grêmio não começou sábado. Vem desde a segunda rodada do returno, com duas derrotas, dois empates e uma vitória. Antes da primeira derrota em casa, não alarmou ninguém porque a folga na tabela se manteve confortável. Mas pode estar em sua fase final.
“A luz vermelha acendeu, já domingo volta o Grêmio do primeiro turno”, promete Tcheco, o líder do time.
Não pode ser só isso. Além do retorno da marcação adiantada, tipo vespeiro, o Grêmio precisa acrescentar uma bola mais trabalhada, de preferência no chão. |
Vale a pena manter Nilmar e Alex contrariados?postado por Futebol Gaúcho Como se não bastassem os pepinos do time propriamente dito, que não tem jeito de dar liga, o Internacional precisa descascar urgentemente dois tremendos abacaxis, sob pena de desandar de vez em direção à zona de rebaixamento. Seus dois melhores jogadores, Nilmar e Alex, estão contrariados por não terem sido vendidos nessa janela de agosto – o primeiro, para o Zaragoza ou o Palermo, o segundo, para o Al Jazira.
Isso, dentro de um vestiário que já está desunido por falta de diretrizes claras do comando, pode ser fatal.
Um esboço do risco futuro foi vislumbrado domingo, na derrota para o Sport: visivelmente deprimidos, os dois não jogaram nada.
O caso de Nilmar é o mais dramático. De volta a Porto Alegre, nesta segunda-feira, ele soube que vai faturar algo como R$ 12 milhões, pela venda ao Inter dos 40% dos direitos econômicos que lhe pertenciam – uma obrigação contratual tipo indenização por recusa das propostas do exterior, feitas por Zaragoza e Palermo.
Mesmo assim, o jogador confessou sua frustração. Segundo ele, poderia faturar muito mais se a venda ao Palermo tivesse sido efetivada.
Claro, o clube fez isso, em parte, porque calcula poder faturar mais, na janela de janeiro – afinal, ampliou seus direitos econômicos, de 30% para 70%, sobre um atacante hoje de seleção. Mas também porque depende demais de seu artilheiro para se afastar ao máximo da parte de baixo da tabela. Não existe, no mercado externo e muito menos no interno, alguém disponível que seja sequer parecido com Nilmar.
Na semana passada, o sempre educado Alex chutou o balde, ao criticar publicamente o ex-presidente Fernando Carvalho, atual homem forte do futebol, e um dos médicos do clube. Carvalho, por ter dito que ele seria vendido ao Al Jazira, o que não se confirmou pelo baixo valor da proposta; e o médico Luciano Ramires por ter dado a entender que sua lesão estava curada e, portanto, que ele só não disputou o Gre-Nal de quinta-feira porque não quis.
Alex tem sido o jogador que faz o Inter andar, quando se encontra em plena forma. Foi por temor de perdê-lo na janela de agosto que os dirigentes correram atrás do argentino D’Alessandro. Mas dar equilíbrio ao time com dois jogadores da mesma característica é, hoje, o menor dos problemas.
Manter Alex satisfeito – ele que além de tudo exerce forte liderança no vestiário – é o grande desafio. Que, somado ao de administrar a frustração de Nilmar, equivale a um abacaxi do tamanho do Beira-Rio.
|
O Grêmio precisa jogar mais pelo chãopostado por Futebol Gaúcho As más atuações do Grêmio contra o Flamengo e o Náutico indicam que o time está virando o fio? Os concorrentes torcem para que seja esse o caso, mas acho que não é por aí.
O que o Grêmio precisa fazer é ampliar o repertório de jogadas. É quase só bola alta, para explorar o tamanhão de seus jogadores. Tem uma hora em que ela fica manjada, e parece que essa hora está chegando. Aliás, como previu Celso Roth: "Agora, com a liderança, vão começar a nos marcar".
Ora, o problema é que até um Náutico consegue fazer isso. Os caras colam um no Tcheco, para que a bola chegue meio rifada, e se preparam para o cabeceio.
Reclamaram que o gramado dos Aflitos não permitiu outras jogadas. Mas, contra o Flamengo, três dias antes, foi a mesma coisa. O Grêmio reagiu no segundo tempo, impôs sua marcação de vespas fanáticas, mas não criou uma mísera jogada pelo piso amplo e plano do Maracanã.
Discute-se muito se a corda deve esticar ou afrouxar, se o time deve jogar no limite ou não. O preparo físico do Grêmio é dos melhores. O time deve continuar a marcar forte. Mas, de posse da bola, pode criar mais.
Ou poderia. Bom, aí é terreno de Celso Roth, mas quem sabe não estaria chegando a hora do acréscimo de qualidade, com a entrada em definitivo de Orteman e Souza – por sinal, os investimentos mais caros do clube para este Brasileiro.
Se Celso Roth acha que não é o momento, outra saída seria fechar os portões para ensaiar jogadas de ataque – tabelinhas, ultrapassagens, paredes, etc. – e não simplesmente de bola parada. Brincadeira. Isso não é da tradição dos nossos técnicos, pelo menos desde que Telê Santana se foi. Aliás, Telê fazia isso de portões abertos, inclusive aqui no Grêmio.
Quanto ao Inter, parece seguir sua sina de armar time no Brasileiro para ganhar o Gauchão do ano seguinte. |
O Grêmio precisa jogar mais pelo chãopostado por Futebol Gaúcho As más atuações do Grêmio contra o Flamengo e o Náutico indicam que o time está virando o fio? Os concorrentes torcem para que seja esse o caso, mas acho que não é por aí.
O que o Grêmio precisa fazer é ampliar o repertório de jogadas. É quase só bola alta, para explorar o tamanhão de seus jogadores. Tem uma hora em que ela fica manjada, e parece que essa hora está chegando. Aliás, como previu Celso Roth: “Agora, com a liderança, vão começar a nos marcar”.
Ora, o problema é que até um Náutico consegue fazer isso. Os caras colam um no Tcheco, para que a bola chegue meio rifada, e se preparam para o cabeceio.
Reclamaram que o gramado dso Aflitos não permitiu outras jogadas. Mas, contra o Flamengo, três dias antes, foi a mesma coisa. O Grêmio reagiu no segundo tempo, impôs sua marcação de vespas fanáticas, mas não criou uma mísera jogada pelo piso amplo e plano do Maracanã.
Discute-se muito se a corda deve esticar ou afrouxar, se o time deve jogar no limite ou não. O preparo físico do Grêmio é dos melhores. O time deve continuar a marcar forte. Mas, de posse da bola, pode criar mais.
Ou poderia. Bom, aí é terreno de Celso Roth, mas quem sabe não estaria chegando a hora do acréscimo de qualidade, com a entrada em definitivo de Orteman e Souza – por sinal, os investimentos mais caros do clube para este Brasileiro.
Se Celso Roth acha que não é o momento, outra saída seria fechar os portões para ensaiar jogadas de ataque – tabelinhas, ultrapassagens, paredes, etc. – e não simplesmente de bola parada. Brincadeira. Isso não é da tradição dos nossos técnicos, pelo menos desde que Telê Santana se foi. Aliás, Telê fazia isso de portões abertos, inclusive aqui no Grêmio.
Quanto ao Inter, parece seguir sua sina de armar time no Brasileiro para ganhar o Gauchão do ano seguinte.
|
O purgatório explica o sucesso do Grêmiopostado por Futebol Gaúcho Ao perceber o desespero de Diego Hipólyto após o fracasso na prova de ginástica, domingo em Pequim, Djan Madruga, uma das glórias da história da natação brasileira, lhe mandou um recado de consolo. Mais ou menos assim: "As maiores glórias quase sempre são alcançadas por quem já andou pelo fundo do poço".
A frase me trouxe à lembrança o que disse um dia Celso Roth, técnico do Grêmio, durante aquele tenebroso período entre a eliminação da Copa do Brasil e do Gauchão e o início do Brasileiro. "Vamos passar por essa humilhação como uma coisa merecida, sofrer isso em silêncio", filosofou Roth, enquanto rearmava o time.
Os atuais dias de glória do Grêmio têm também essa explicação. A equipe emergiu daquele purgatório não só formatada taticamente como purificada dos defeitos do espírito que às vezes arruínam um time quando menos se espera.
Se há um sentimento que une a todos, no Olímpico, do presidente ao segundo-atacante, é essa modéstia diante do sucesso. Mantida a invencibilidade de onze jogos e conquistada a quinta vitória consecutiva, o líder do Brasileiro, com cinco pontos sobre o vice, repete que ainda não ganhou nada, que é preciso manter a amizade, a alegria de jogar juntos, que do coletivo é que sobressaem as individualidades, etc.
Monótono. Mas ali as pessoas acreditam que um tom acima disso pode levar ao orgulho e à queda. E o mais interessante: traduz-se exatamente o que se vê em campo. Não são palavras ao vento, como diria Celso Roth, qual um pastor. A humilhação daqueles dias de abril uniu e fortaleceu os jogadores do Grêmio, foi o que lhes deu coesão. Vem daí a tentação de chamar de fanatizada a marcação em bloco do time.
Isso tudo – que pode inspirar o nosso Diego Hipólyto em seu retorno aos melhores dias – ajuda a explicar também o fracasso do Internacional, até pelo contraste.
Claro que os dirigentes colorados cometeram erros estratégicos, como essa reforma radical do time em meio ao Brasileiro.
Mas a soberba, ah, a soberba... Ela marcou presença de alto a baixo no Beira-Rio este ano, podem crer.
Fiquemos no baixo. Para encurtar o assunto, eis algumas frases de jogadores que ilustram bem o espírito dominante por lá:
"Vim aqui para mostrar meu futebol e conquistar uma posição na Seleção Brasileira". (Gustavo Nery, quatro meses depois de perder a posição para Junior César e sair do Fluminense, período no qual ficou sem jogar).
"Não estou gordo. Só me falta ritmo de jogo. Mas isso pode ser compensado com a qualidade". (Daniel Carvalho, ao chamar de "imbecis" e “idiotas” os jornalistas que criticaram seu excesso de peso, ele que disputou apenas sete partidas na última temporada russa por ter brigado com o técnico do CSKA).
"Quer botar a culpa em mim? Se eu estivesse mal, tudo bem. Mas eu estava jogando pra caramba". (Wellington Monteiro, protestando contra o técnico Tite ao ser substituído no primeiro tempo de Vasco 4 x 0 Inter). |
Direita conservadora x esquerda festivapostado por Futebol Gaúcho Você pega os dez jogadores de linha do Grêmio e não encontra nenhum canhoto. Toma os presumíveis titulares do Inter e topa com cinco: o lateral Gustavo Nery, o volante Guiñazú, os meias Alex e D'Alessandro e o atacante Daniel Carvalho. O contraste explica o título da coluna, que apenas brinca com a rivalidade política dos anos 60.
Dois dos colorados estão fora de forma: Gustavo Nery e Daniel Carvalho, que não jogavam há meses. Alex é ausência já de cinco partidas. E o debut de D’Alessandro atrasou, por questões burocráticas. Só Guiñazú tem estado em todas.
Neste domingo, porém, contra o Vasco, é provável que Tite possa juntá-los pela primeira vez. Serão capazes de alavancar a reação colorada nesse segundo turno? Façam suas apostas.
No quadrilátero da imaginação, para usar uma expressão de que meu ídolo García-Márquez gostava, o torcedor colorado enxerga os cinco dando verdadeiros shows. Eles iluminam o campo dos sonhos com os fogos de artifício da criatividade, completaria Vargas Llosa a respeito desse delírio.
Mas o quinteto de canhotos pode se mostrar tão inofensivo quanto a esquerda festiva dos anos 60 – assim chamada por se limitar a canções de protesto entoadas em seus apartamentos de classe média.
Atenuemos, digamos que eles poderão ser pouco contundentes. E não por defeitos técnicos, mas porque dificilmente Tite terá tempo para reduzir essa tendência ao desequilíbrio, essa tendência a adernar. E o trabalho de costura de um novo conjunto será feito sob forte pressão.
O ímpeto de Guiñazú e Gustavo Nery chamará o jogo para aquele lado. Alex e D’Alessandro são da mesma função – o segundo veio porque a diretoria esperava vender o primeiro. Além do mais, Daniel Carvalho ataca pelo flanco, o que o inabilita a resolver o problema criado com a saída de Fernandão e Iarley, que é a solidão de Nilmar.
No Grêmio de 2002, Tite conseguiu harmonizar os movimentos de Zinho, Rubens Cardoso e Marcelinho Paraíba. No Inter, seu desafio cresceu na proporção do aumento de canhotos.
O conservadorismo de Celso Roth, que formou um Grêmio de destros por acaso, também se refere apenas a suas concepções sobre futebol: marcação total, simplicidade, regularidade, etc., que no caso atual resultaram num tal nível de harmonia que você poderia definir como a beleza da eficiência.
E seu único canhoto fica fora do carrossel, mas também é de uma competência espantosa. Victor, o goleiro. |
| |
|
|
|
|