Tommy Kamimura

Tommy Kamimura, gerente de operações da Meltex Franchising - Divulgação

O Negócio é Esporte
01/03/2016
20:21
Rio de Janeiro

Mesmo com a crise econômica, o mercado de franquias foi um dos poucos setores que cresceram no ano passado no Brasil, com uma expansão de 8,3% em relação a 2014. O setor movimentou ainda cerca de R$ 140 bilhões no ano passado, segundo balanço da Associação Brasileira de Franchising (ABF). Em especial, o segmento que engloba esporte, saúde, beleza e lazer cresceu 24% só no primeiro semestre de 2015. Para o gerente de operações da Meltex Franchising, Tommy Kamimura, esse crescimento se deve ao fato do negócio mexer com uma das paixões do brasileiro: o futebol. Na avaliação de Kamimura, “a loja oficial de um clube é uma embaixada para o torcedor”. Em entrevista a O Negócio é Esporte, o especialista avalia que, para melhor explorar essa fonte de receita, os clubes e franquias devem investir mais em experiências com os torcedores dentro das lojas, como promoções, venda de ingressos, de tour pelo estádio, viagem com o time, e não focar apenas no comércio de produtos licenciados.

O Negócio é Esporte: Na sua avaliação, por que o mercado de franquias esportivas, na contramão da crise, se mostra em alta?

Tommy Kamimura:
Nós que trabalhamos com varejo esportivo temos em mão um negócio que realmente é fora da curva porque mexe com a paixão do brasileiro, principalmente pelo futebol. Ainda é um negócio novo, falando a nível do Brasil, mas ainda temos muito o que expandir, várias lojas para abrir e, de fato, é um negócio que vai na contramão do cenário econômico brasileiro.

O Negócio é Esporte: A Meltex administra as lojas oficiais de Palmeiras, Santos, Grêmio e Fluminense. Qual balanço você pode fazer desse investimento? Dessas franquias, qual tem dado o melhor retorno?

Tommy Kamimura:
Temos investimentos de diversas maneiras, tanto da parte da Meltex, que investe diretamente com o clube para a concessão da licença de franquia das lojas, como também do próprio franqueado no negócio. Nessa relação, o clube recebe uma receita de royalties em cima da venda do franqueado, e a franqueadora em cima da gestão e da venda de produtos para o franqueado. Os clubes que são nossos parceiros têm modelos de negócios parecidos, mas com investimentos de tamanhos diferentes. Até pela proporção de expansão, Palmeiras e Grêmio representam hoje uma maior participação dentro da empresa, com investimento um pouco maior. O Palmeiras é o que tem hoje a maior quantidade de lojas dentro da Meltex, com 23 pontos de venda e 14 lojas para abrir ainda neste ano. Então é uma rede que terá grande crescimento em 2016. Em segundo lugar vem o Grêmio, com 20 lojas. Santos e Fluminense ainda são projetos em engrenagem, com começo recente de parceria. O Santos tem 4 lojas e o Fluminense tem 3 pontos de venda. Por isso, o que tem dado maior negócio hoje é o Palmeiras.

O Negócio é Esporte: Muito se fala sobre a necessidade dos clubes brasileiros de se tornarem marcas mais expressivas nacionalmente e internacionalmente, o que passa pela penetração deles com produtos licenciados em outras praças. Tomando como exemplo o Barcelona, clube estrangeiro que mais vendeu camisa no Rio de Janeiro e o 11º no ranking nacional de vendas, além de ter aberto no México a sua primeira loja oficial no exterior, você acha que falta muito para amadurecermos e chegarmos a esse nível?

Tommy Kamimura:
A profissionalização desse negócio de varejo dentro dos clubes ainda é recente no Brasil. Temos muito ainda o que aprender com esses clubes fortes que movimentam milhões em relação a venda de produtos e proximidade com os torcedores, como Barcelona e Chelsea. Quanto aos clubes parceiros da Meltex, temos dentro do nosso plano a expansão para o Nordeste e para outros estados fora da origem em que o clube joga porque realmente há uma carência hoje. Temos uma demanda reprimida em relação à aproximação entre loja, produto, torcedor e clube. Nem todas as pessoas que torcem pelo clube moram na cidade e têm facilidade de ir ao estádio, estar presente, acompanhar o time de perto. Então o que ativa o relacionamento dele com o clube de coração realmente é a loja, que se torna uma embaixada para o torcedor. Ele deseja conversar sobre o time, saber se tem contratação e novidades. O torcedor acha e enxerga a loja como uma ligação com o clube e isso tem muito o que ser melhorado, expandido e explorado pelas empresas que fazem a gestão de lojas de varejo esportivo.

O Negócio é Esporte: Em relação aos deveres de casa para explorar melhor o esporte como plataforma de negócios aqui no Brasil, especialistas comentam a necessidades de os clubes diversificarem as fontes de receitas, ainda concentradas em patrocínios expositivos, nas cotas de transmissão dos jogos pela televisão e, em menor escala, na bilheteria. Como melhorar a venda de produtos licenciados para que as franquias se tornem fontes de receita mais expressivas?

Tommy Kamimura:
Para melhorar essa receita a franquia deve proporcionar não só a venda de produtos licenciados, como também de experiências. O torcedor deseja comprar camisa, ingresso, tour, viagem com o time, participar de promoções. Assim, a loja deve estar 100% conectada. Ainda temos muito que melhorar nesse ponto. Quanto mais experiências tivermos dentro dessas lojas, aí sim teremos uma expansão maior, até mesmo fora do território nacional.

* Acompanhe notícias sobre marketing esportivo, em O Negócio é Esporte. No rádio, na web e no Diário Lance!